Chegou a hora do Cafuçu!

Conheça a verdadeira história do bloco que arrasta multidões pelo Centro Histórico de João Pessoa e reúne admiradores mais uma vez nesta sexta

                                                               Foto retirada da página do Bloco Cafuçu no facebook/Divulgação

Augusto Magalhães

Todo cafuçu que se preza briga pra sair na Globo! Todo ano é a mesma coisa: quando os holofotes da “TV de Edilane” aparecem todo mundo corre pra cima. E esse clima vai se repetir na noite desta sexta-feira, 05, a partir das 19h00, quando metade da população de João Pessoa, provavelmente, estará entre a Praça do Bispo e o antigo Parahyba Palace Hotel, no Ponto de Cem Réis. É que hoje é noite de Cafuçu e os admiradores do bloco devem descer, a partir das 21h00, as ladeiras da cidade antiga até a Praça Anthenor Navarro, onde um grande baile brega tomará conta do centro Histórico de João Pessoa.

Vestidos com roupas e acessórios extravagantes, os cafuçus e cafucetas já se transformaram em uma espécie de patrimônio cultural da Paraíba. Não importa se eles são de João Pessoa, Cabedelo, Santa Rita, Bayeux, Campina Grande, Patos ou Cajazeiras. Todos são bem vindos, do litoral ao sertão, e até mesmo de outras partes do Brasil e do mundo. Afinal de contas, cafuçu tem em todo lugar.

Foto retirada da página do Bloco Cafuçu no facebook/Divulgação

Pessoas que se dizem finas, elegantes e sinceras também entram no rol do cafuçu.  Se na periferia a presença dos cafuçus é mais evidente, nas rodas sociais ela também pode ser notada, embora maquiadas. Se nos bares do Terminal de Integração os cafuçus são aparentes, o que dizer da nova onda dos “food trucks” do Cabo Branco e Intermares? A intelectualidade dos cafés esconderia uma dezena de cafuçus? Sei lá, mas provavelmente sim. A vantagem de ter um bloco como o Cafuçu é que todas as partes da pirâmide se misturam e aí não adianta vir de Azarro ou usar mistral embaixo do braço. E o melhor: todos fazem caretas e acenam para sair na “TV de Edilane”.

Outra vantagem do bloco Cafuçu é que todo mundo pisa o mesmo chão. Todo mundo segue a orquestra que toca frevo no chão, sem trio elétrico nem cordão de isolamento. Não há cordão pra isolar ninguém. Ninguém está doente para ser isolado. Todo mundo pisa e sapateia na calçado do Bispo, ou melhor, na Praça do Bispo. Para quem não sabe, a praça se chama Dom Adauto e Dom Adauto foi o primeiro Bispo da Paraíba... Daí, a praça Dom Adauto ser conhecida popularmente como “Praça do Bispo”. Olha aí eu já mostrando que sou cafuçu também, só pra dizer que essa história de Dom Adauto eu contei em uma matéria que fiz para a TV. Claro que eu ia querer aparecer e dizer que também já fiz TV. Não foi Globo, mas foi TV!

Bem, agora é dizer ao povo que prepare a fantasia e se prepare para sair no Cafuçu. A Praça do Bispo e a Globo lhe esperam!

A verdadeira história de um Cafuçu

Conheço de perto a história do Bloco Cafuçu, pois estava lá quando o mesmo foi criado. A princípio chamava-se “Unidos do Cafuçu” em referência a uma escola de samba do Rio de Janeiro que era “Unidos do Cabuçu” (por onde anda? Não sei!).

No ano de 1989, no apartamento do quadrinista e professor de comunicação da UFPB, Henrique Magalhães, se reuniram vários artistas e ativistas culturais, entre eles Torquato Joel, Paulo Vieira, Scaná, os irmãos Márcio e Márcia, Bertrand Lira, entre outras autoridades da cultura paraibana, e, conversando sobre o que fazer com o conhecido dragão que Henrique havia feito para os comícios do movimento de redemocratização do país, decidiram desfilar com esse dragão puxando um bloco de carnaval. E assim surgiu o “Unidos do Cafuçu”. Creio que o primeiro desfile aconteceu em 1990!

Nos primeiros anos, o bloco saía da antiga sorveteria Beijo Gelado, na praia do Cabo Branco, e fazia apenas circular o quarteirão. Daí, o público foi gostando, gostando, e o “Unidos” foi retirado ficando apenas o nome “Cafuçu”, cujos estandartes eram costurados por minha mãe, Darcy Magalhães.

O resto da história todo mundo já sabe. O bloco cresceu muito, passou para o Centro Histórico e Henrique Magalhães, que realmente criou o Cafuçu, passou a direção da organização para o ator Buda Lira, que vem comandando o barco a partir de então. Tudo com muita harmonia, sem ninguém desmoronar o castelo de ninguém. Assim está o Cafuçu, organizado e dirigido por Buda Lira com muita competência e carregando multidões...do jeito que devem ser os carnavais!

                                          Foto retirada da página do Bloco Cafuçu no facebook/Rafael Passos/Divulgação

 

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